RESUMOS /

Autora: ANA TERESA SANGANHA                       atsanganha@sapo.pt

Psicanalista. Membro da Associação Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica (AP), da Sociedade Portuguesa de Psicossomática (SPPS). Formadora na AP.

Título: Para cá do setting

Resumo: Na vida nada é unidimensional e a complexidade é ubíqua. Esta afirmação, íntima da Psicanálise, sustenta a opinião da autora, de que nos podemos referir a um pensar e a um sentir estratificado em várias profundidades e que, embora o setting seja uma variável importante para o desenvolvimento deste processo, uma vez em relação, o processo ultrapassa o setting, principalmente nas camadas mais profundas, aquelas que se foram revestindo de protecção, mas que guardam o lugar onde o encontro acontece.

Palavras-chave: psicanálise; complexidade; setting; relação.

Autora: CLARA SOARES        clara.psy@gmail.com
Psicóloga clínica e jornalista. Membro credenciado da AP. Interesses: impacto da tecnologia na vida relacional, práticas meditativas e estilos de vida conscientes  
Título: “Dra, está aí?” O lugar da presença mediada pela tecnologia 
Resumo: O aumento das perturbações de adaptação e das situações de crise decorrentes da Covid-19 - receio de contrair o novo coronavírus, acompanhar familiares infetados, morte de amigos e familiares, preocupação com a perda de emprego, de recursos financeiros e gestão da incerteza - colocaram novos desafios à prática clínica, nomeadamente, acelerando a adoção da modalidade psicoterapêutica mediada pela tecnologia. Praticamente inevitável a partir do confinamento em diante, o recurso ao digital levou o consultório a casa e colocou a casa no setting. A presente comunicação visa explorar o potencial, os limites e as questões emergentes do decurso das sessões realizadas através da internet, partindo da experiência intersubjetiva da dupla terapêutica. A meta é refletir sobre as inovações trazidas por este registo e como pode ser integrado ou complementar o formato da psicoterapia psicanalítica, com valor acrescentado para o processo.  
Palavras-chave: confinamento, covid-19, tecnologia, setting, casa

Autora: ELSA GOMES NETO     elsagneto@gmail.com
Psicóloga Clínica (ISPA) e Psicanalista candidata (AP), Assistente de Psicologia no Ministério da Saúde, Diretora da Psiloures.
Título: Con(tato) psicanalítico na era digital - aprendendo com a experiência.
Resumo : A era digital veio abrir um leque de novas formas de comunicação on-line com os pacientes. Encaradas desde logo por alguns como uma mais valia, foram objeto de variadas resistências por parte de outros, grupo no qual me incluo, tendo sido necessário uma experiência limite, como a que vivemos recentemente, para aceitar abraçar esta nova e diferente forma de trabalhar. Aquilo que vou partilhar convosco é o que tenho vindo a aprender com a minha experiência. Dela retiro que mais importante que a forma de contato, presencial ou online, video-chamada ou telefone, é o nosso tato psicanalítico, ou seja, a nossa capacidade de tocar e nos deixarmos tocar pelo que o paciente nos traz e que nos remete para a nossa capacidade de reverie, na procura de dar sentido, recorrendo para tal aos sentidos que temos disponíveis e que tal como os instrumentos numa orquestra, se vão afinando consoante o modo como os vamos usando, a fim de produzir uma sinfonia/sintonia, usando a metáfora de Winnicott, que seja suficientemente boa para que os nossos pacientes possam desenvolver o seu aparelho de pensar os pensamentos e como nos diz Bion expandir o seu universo mental.
Palavras Chave: Psicanálise online, Experiência pessoal, Reverie, Aparelho de pensar os pensamentos

Autores: FILIPE MADEIRA e GABRIELA ALONSO     filipe.c.madeira@gmail.com alexandra.alonso@gmail.com
Psicólogos Clínicos, Psicoterapeutas e Psicanalistas. Membros da Associação Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica. 
Titulo: Grupo de apoio psicológico online – Uma aprendizagem com a experiência. 
Resumo: Que desafios e dificuldades nos vão aparecer no caminho ao iniciarmos um grupo sobre o qual só temos acesso através de um ecrã? Que possibilidades nos surgem na resolução de conflitos e/ou situações de crise? Que diferenças podemos observar na dinâmica destes grupos online quando comparados com os grupos terapêuticos presenciais? Como fazer uma abordagem psicanalítica num grupo não psicoterapêutico? Partindo destas questões, propomos reflectir, e contribuir para a reflexão, sobre o desafio de iniciar e manter um grupo de apoio psicológico à distância. 
Palavras chave: Grupos de apoio; psicanálise; terapia online. 

 

Autora: GRAÇA GALAMBA     graca.galamba@gmail.com
Psicóloga; Grupanalista; Psicoterapeuta Psicanalítica Relacional
Título: “Aumentar o Espaço Interior de Dúvida Optativa”
Resumo: Pretendo partilhar as minhas reflexões e inquietações actuais sobre: 
1) Qual o papel que o pensamento psicanalítico pode ter, e quer ter, na construção da sociedade post pandemia: Como preservar e desenvolver a “humanização” do humano, numa sociedade que se prevê cada vez mais digital?
2) Como aumentar a democratização no acesso à terapia e ao ensino da Psicanálise, e na gestão das sociedades psicanalíticas? Faz sentido a proliferação/ pulverização “recente” de sociedades psicanalíticas, num país tão pequeno como o nosso? A sobrevivência da Psicanálise, numa sociedade que vai ser drasticamente mais pobre, não terá que passar por uma sinergia de recursos? E esta será possível?
Palavras-chave: Humanização. Democratização. Sinergia de Recursos

 

Autora: INÊS ATAÍDE GOMES     inespsi2@gmail.com
Psicóloga pela FPCEUL. Com formação em Psicodrama Psicanalítico de Grupo pela SPPPG e em Psicanálise pela SPP. Formadora na SPPPG e na AP. 
Título: Redefinição do papel interno de Psicanalista 
Resumo: Proponho pensar convosco o impacto das alterações fracturantes e céleres do dia-a-dia da comunidade na identidade do analista. Desde a necessidade de adaptação pessoal às mudanças e incertezas mantendo a capacidade contentora da angústia do outro, até aos novos desafios que uma situação de estado de emergência traz ao terapeuta como cidadão consciente e interventivo. Deveria o psicanalista ficar “em casa” (no setting de divã, mesmo que alterado) ou sair para o mundo, e contribuir com uma participação mais concreta na comunidade? Nestes tempos de tanto desconhecido, o treino da capacidade negativa – do lidar com o não saber, o não desejar – revelaram-se ferramentas imprescindíveis na prática clínica e social. 
Palavras-chave: Ser psicanalista, capacidade negativa, criatividade 

 

Autor: JOSÉ MANUEL DE MATOS PINTO     jpinto@esenfc.pt
Doutorado na Universidade de Coimbra, Professor Coordenador na ESEnfC, especialista em Psicoterapia (Psicanalista, Psicodramatista). Sócio gerente na Expansão da Mente, Psicologia e Psicoterapias.
Título: A Psicanálise e o digital: O negativo em contexto online
Resumo: A ausência da presença corporal e do setting psicanalítico colocam questões acrescidas ao processo psicanalítico em contexto digital. Paciente e psicanalista descobrem-se numa fala intermediada pela tecnologia, que se faz notar pela falha, distorção e/ou interrupção, interferindo com a associação livre do paciente e a escuta do psicanalista. Os sentidos focalizam-se no olhar amputado pelo ângulo da câmara que só nos revela parte do corpo. Este é palco da expressão emocional mais primitiva apresenta-se também como referente amputado no seu binómio corpo-mente, ora unidade dual concordante ora discordante. A par da palavra pode surgir o negativo da fala, lugar do desamparo (Amaral-Dias, 1999) que se mostra (des)velado pela mortificação invasiva, que apela à transformação. Propomo-nos exemplificar com vinhetas a transformação da consciência anoética - formas impensadas de experiência - num experienciar autonoético – predominância de formas abstratas de perceções e cognições, que permitem “consciencialização consciente”» (Solms & Panksepp, 2012, p.149)
Palavras-chave: Psicanálise, ego corporal; entropia; contratransferência; transformação 

Autora: MARIA JOSÉ MARTINS DE AZEVEDO     mjmazevedo@hotmail.com

Psicanalista, membro IPA, FEP e Societé Européenne pour la Psychanalyse de l'Enfant  et de l'Adolescent. Formadora: SPP e SPPC. Autora: A oficina do psicanalista (2017), As transgressões do amor (2016) e O complexo de Lúcifer (2018).
Título: O destino da nova relação e o caso da psicanalista virtual
Resumo: Aborda-se nesta comunicação o papel da nova relação, conceito charneira da obra de António Coimbra de Matos, perante o trauma que constituiu a mudança de setting na psicanálise e na psicoterapia psicanalítica, devido à pandemia de covid 19, bem como a esperança que decorre desta intervenção. Uma vinheta clínica acompanhará a exposição.  
Palavras chave: trauma, nova relação, esperança

 

Autora: PATRÍCIA CÂMARA     patricia.rl.camara@gmail.com

Psicanalista e Psicoterapeuta pela Associação Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica, Membro da Direccção da AP e Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa de Psicossomática
Título: Expressões do autêntico – psicanálise de crianças em zoom
Resumo: Se no início do confinamento me parecia pouco possível, ainda que nunca impensável, continuar o trabalho terapêutico com as crianças que seguia no consultório por terapia on-line, em duas semanas pareceu-me que o que estava a boicotar a capacidade de me manter presente não era a pandemia, mas sim um excesso de materialização, esse sim, personificação da ausência. E se dúvidas houvesse, rapidamente as crianças mas fizeram dissipar, permitindo-me o acesso, numa espécie de zoom interno, aquela que por momentos era a minha criança amedrontada agarrada a um qualquer setting que se dizia regra última de existência. A capacidade criativa serve sempre o psicossoma e ampara-o para novos lugares, sempre que se escutam as expressões daquilo que é autêntico dentro e fora de nós.
Palavras-chave: autenticidade, psicoterapia psicanalítica de crianças, psicoterapia on-line, criatividade.

 

Autor: PAULO MOTA MARQUES     paulo.motta.m@portugalmail.pt

Psicólogo clínico, grupanalista titular didata; psicoterapeuta psicanalítico, mestrado em psicopatologia e psicologia clínica, doutoramento em psicologia clínica.
Título: Grupanálise e Psicoterapia Psicanalítica, online: uma alternativa e uma complementaridade 
Resumo: Com a pandemia atual a realidade impôs a modalidade online como uma forte alternativa às consultas e psicoterapias /análises presenciais. A psicoterapia online é uma modalidade de intervenção claramente útil e diferente, uma alternativa interessante e mesmo complementar. Pode ser utilizada em diversas circunstâncias, dependendo das características e situação dos pacientes, da relação terapêutica e naturalmente do terapeuta. Quer na psicoterapia individual quer na de grupo e grupanálise, online, aspetos como a presença do terapeuta, o sentimento de proximidade com o seu paciente assim como o interesse demostrado pelo terapeuta no paciente e na modalidade online, são relevantes para que o processo terapêutico e analítico se desenvolva. Num grupo de grupanálise online a matriz grupanalítica adquire características próprias no tempo e no espaço e o padrão grupanalítico reveste-se de uma importância acrescida, nomeadamente face à emergência do antigrupo. Aspetos como a intersubjetividade e a transferência-contratransferência, entre outros, adquirem igualmente uma forma diferente que no presencial.
Palavras-chave: intersubjetividade, presença, interesse, psicoterapia psicanalítica online, grupanálise online.

 

Autora: RAQUEL LEMOS     rlemos@ispa.pt

PhD, Assistant Professor of Neuropsychology at ISPA – Instituto Universitário & Post-doctoral researcher at the Neuropsychiatry Unit – Champalimaud Foundation
Título: Trabalho online e vida offline: efeitos e desafios do teletrabalho
Resumo: Nas últimas décadas temos assistido a uma revolução digital que permite auxiliar diversos aspetos do nosso quotidiano. No entanto, tem sido descrito, mais recentemente, o impacto da utilização tecnológica no funcionamento cerebral e cognitivo e no comportamento. Alguns dos efeitos negativos desta exposição excessiva incluem dificuldades de concentração e atenção, alterações do funcionamento mnésico, da perceção visual e da cognição social. São também descritas alterações de humor, irregularidades no padrão de sono e sedentarismo.
Nos últimos meses, a pandemia por COVID-19 empurrou-nos para o distanciamento social e para a necessidade de recorrer constantemente ao contacto virtual. A conversão do padrão laboral para o recurso ao teletrabalho veio facilitar a dependência do trabalho online em diversas áreas profissionais. Nesta comunicação iremos rever as consequências do uso excessivo de tecnologias e sugerir estratégias para uma adaptação saudável ao trabalho online.
Palavras-chave: Internet, cognição, comportamento, pandemia, teletrabalho.

 

Autora: RITA FONSECA E COSTA     ritafcosta@sapo.pt

Especialista em Psicologia Clínica e da saúde.  Mestrado em psicologia Clínica-variante dinâmica. Psicoterapeuta pela  Sociedade Portuguesa de Psicologia Clínica. Especialidade avançada de psicologia comunitária. Coordenadora do Serviço de Psicologia Clínica Psiquiátrica de S. José e consultório privado.
Titulo: Modelo psicodinâmico novos paradigmas... reflexão em vários contextos.
Resumo: Nesta apresentação vou procurar partilhar o meu caminho pessoal  enquanto psicoterapeuta psicodinâmica em 3 contextos diferentes, o  confinamento em pessoas em internamento psiquiátrico, a participação   no projecto acalma on-line, que permite o contacto visual, para intervenção em crise no contexto do Covid e as alterações sentidas na  psicoterapia on-line. Reportando as minhas reflexões aos estímulos, colocados à técnica no modelo de intervenção e as suas adaptações, pelas circunstâncias externas vividas. Partilhando a minha experiência em relação aos maiores desafios  sentidos no estabelecimento da relação terapêutica em pacientes  desconhecidos, alterações de setting nos pacientes em psicoterapia e  as suas implicações. Por fim, o que surgiu de novo nas problemáticas sentidas ou prévias, o que foi acordado pela pandemia.
Palavras-Chave: Confinamento em utentes com patologia psiquiátrica,  apoio psicológico on-line contexto Covid, alterações à técnica

 

Autora: TOMÁS MIGUEZ     tomasmiguez@hotmail.com

Psicólogo Clínico, prática de psicoterapia e psicanálise com adultos e adolescentes no privado, Candidato da Sociedade Portuguesa de Psicanálise, experiência institucional na reabilitação psicossocial de pacientes psicóticos.
Título: Consultas Terapêuticas no Cazaquistão – A escuta do trauma
Resumo: Nos últimos anos fui várias vezes ao Cazaquistão, onde participei em cursos de psicoterapia psicanalítica, organizados por uma associação local que promove a formação em psicanálise. Os cursos eram frequentados por naturais do Cazaquistão, maioritariamente mulheres. Diversas alunas pediram-me uma consulta individual. Falei em inglês e sempre na companhia de uma tradutora. A grande maioria das pacientes tinham sido raptadas em jovens e forçadas a casar com os raptores. De início não sentia nada. Ouvia uma língua que não percebia, algo que me ajudou a estar mais atento e recetivo a aspetos não verbais. Depois, quando as mulheres choravam, sentia-me profundamente tocado mesmo antes de ter acesso ao conteúdo verbal. O traumático induziu em mim uma escuta livre e sem desejo, permitindo a criação de um continente capaz de suportar o contato com vivências emocionais muito primitivas. Sentia que as palavras que partilhava com as mulheres saíam de mim espontaneamente, como uma nova língua que eu não sabia que sabia. 
Palavras-chave: Escuta, trauma, inconsciente

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